domingo, 1 de junho de 2014

Sob chuva no Memorial da América Latina

 Temporal não abala fãs no show de encerramento do festival gratuito da Cultura Inglesa

Por Fernanda Clas e Tamiris Mota
        Entre os dias 9 e 25 de maio, ocorreu o 18º Cultura Inglesa Festival (CIF). O evento, que acontece todo ano, é promovido pela Cultura Inglesa e conta com uma grande programação gratuita de música, cinema, espetáculos, bate-papos e exposições.
         Este ano, o CIF trouxe um tema novo para suas atrações: a gastronomia. A tradicional Feirinha Gastronômica, realizada aos domingos, na Praça Benedito Calixto, contou com uma edição especial, na qual foram servidos pratos típicos britânicos. O chef Andy Bates, autoridade em street food e especialista em culinária britânica clássica, foi um convidado especial. Além de suas receitas típicas, participou de um bate-papo sobre gastronomia de rua.
        Mas o destaque foi para o show de fechamento do evento, que contou com a presença de duas bandas inglesas o Los Campesinos e Jesus and Mary Chain, e dos brasileiros Monique Maion, Voliere e Staff Only. Daniela Fernández, estudante de biomedicina na Unifesp, esteve presente na 18ª edição do evento e conta como foi: “Fiquei até o cover da Amy Winehouse, foi a minha primeira vez no festival, adorei a homenagem que fizeram para ela. Eu e meus amigos não ficamos até o Jesus, o que atrapalhou foi a chuva, mas definitivamente quero voltar ano que vem.”
        Segundo a assessoria de imprensa, mesmo debaixo de muita chuva, o show atraiu mais de 12 mil pessoas à Praça Cívica do Memorial da América Latina, quase dois mil a mais do que no ano passado. O portal Terra transmitiu todas as apresentações ao vivo, atingindo 37 mil espectadores que preferiram acompanhar o festival longe da chuva.
The Jesus And Mary Chain, o show mais aguardado da noite de encerramento que animou o público mesmo debaixo de chuva (fonte:http://tenhomaisdiscosqueamigos.com/)

Por dentro do RBMUN

Evento organizado por alunos das Faculdades Integradas Rio Branco agradou o público, inclusive alunos de outras universidades


Por Danilo Alves, Jacqueline Altopiedi e Marcel Pereira 
Comitê de Direito no RBMUN
Fonte: www.riobrancofac.edu.br




Nos dias 17 e 18 de maio ocorreu o VI RBMUN, quando as Faculdades Integradas Rio Branco foram palcos de simulações sobre negociações de casos como Isabella Nardoni. Cerca de oitenta estudantes de diversas faculdades compareceram, colocando em prática informações obtidas dentro das salas de aula.

O RBMUN contou com a parceira do Secretariado-Geral Sobre a Juventude da Organização das Nações Unidas (ONU) que buscou saber dos alunos o que eles pensam sobre os temas: educação, emprego, saúde, boa governança, paz e estabilidade, com o objetivo de criar medidas para o fortalecimento dos jovens de todo o mundo.

O evento teve a participação do ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Luiz Flavio Borges D’Urso. “Vejo aqui bons futuros advogados”, afirmou.

Juliana Barros, estudante de Direito nas Faculdades Integradas Rio Branco foi a organizadora do comitê de direito. “[O evento] ocorreu de forma produtiva e os debates alcançaram pontos importantes para o desenvolvimento das discussões”, disse.

“Acredito que os assuntos abordados no decorrer do evento foram de extrema relevância para o esclarecimento dos fatos perante os jurados”, completou.

Ela afirma que o evento acrescentou muito no conhecimento de todos e lembra: “Mostra como funciona, na prática, procedimentos jurídicos (no caso o júri) que aprendemos em sala de aula.”

Gregory Ribeiro, estudante de Direito na UNIP também foi ao evento e expôs sua opinião: “Eu achei um evento muito interessante realizado pela faculdade, pois ele ajuda o aluno a entender mais o conteúdo jurídico”. “Apesar de não estudar nas Faculdades Integradas Rio Branco todos me trataram com muita educação e tiveram um certo zelo”, acrescentou.

Perguntado sobre os assuntos abordados, ele afirmou: “Foram de total interesse diante do conteúdo que estudo, isso porque diante do júri o assunto abordado do caso de Isabela Nardoni é um assunto ainda novo, discutido e esta na mídia”.


“Em meu conhecimento o evento acrescentou muito, diante de meus pensamentos jurídicos, ou seja, se em alguma vez na minha vida for participar de um júri já possuo uma certa base do que ver, perceber, conversar”, declarou.





A fonte da Música Popular Brasileira secou?

Em meio ao surgimento de gêneros como o Sertanejo Universitário e o Funk Ostentação, muitos se perguntam o que aconteceu com a criatividade e a qualidade de nossas músicas.
Por Giovana Meneguim e Nathan Rodrigues


Em meados da década de 1940, Luiz Gonzaga trouxe do Nordeste um ritmo acelerado e contagiante, fazendo o país dançar ao som do baião. Em 1958, João Gilberto inaugurou a Bossa Nova com a canção “Chega de Saudade”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Uma década depois, jovens artistas adotaram instrumentos elétricos e concepções artísticas de vanguarda para apresentar a Tropicália. Em meio ao fenômeno grunge, bandas como Mundo Livre S/A e Nação Zumbi recolocaram a criatividade nordestina na praça ao dar vida ao Manguebeat.

O cantor e compositor Edvaldo Santana
(Foto: Reinaldo Meneguim)
O Brasil foi celeiro de ricas criações artísticas e berço de cantores que marcaram época por seu talento indiscutível e criatividade fora do comum. A música nacional já foi um produto fino do tipo exportação. Atualmente, no entanto, por mais que a mídia veicule uma gama de novos músicos, nada soa como novidade ou chama a atenção de ouvidos mais exigentes. A fonte secou ou não está mais disponível para o grande público?

Para o produtor musical José Nilton Tonin, a Música Popular Brasileira enfrenta um período de entressafra. “Vivemos um momento de transformação musical, em que novos gêneros são criados, mas muitas coisas serão passageiras. Passamos por uma crise, principalmente nos nossos conteúdos de letra, que influenciam todos os estilos musicais, e isso acaba sendo a principal arma utilizada pelo comércio. Então, a música acaba deixando de ser música e vira comércio”, afirma.

E quem responde por esse quadro? O cantor e compositor Edvaldo Santana acredita que, enquanto a música estiver sob domínio de grandes corporações, mais difícil será a promoção de novas ideias artísticas. “Elas continuam ditando as regras, comprando horários em emissoras de rádio, apresentações em programas de TV e publicações em jornais e revistas. O escoamento da produção musical continua muito difícil para quem não está ligado a alguma multinacional do entretenimento”, pontua.

O músico ainda ressalta que as novas tecnologias facilitam a divulgação dos materiais de artistas que, como ele, ganham a vida de forma independente. “A possibilidade de gravar e difundir sua obra ficou bem interessante, vieram à tona trabalhos com muita criatividade e que estavam escondidos. A internet é um oásis, pois democratizou o acesso de quem produz e de quem quer ouvir outro tipo de música que não sejam aquelas impostas pelo mercado.”


Em uma música plural e criativa, como é notoriamente reconhecida a MPB mundo afora, os talentos nunca desaparecerão. E caso eles não estejam diante de nossas vistas ou ao alcance de nossos ouvidos, não se preocupe. A beleza, às vezes, pode estar a um clique de distância ou em uma esquina qualquer.


segunda-feira, 19 de maio de 2014

A política entra em campo

O futebol já foi utilizado como instrumento político. E neste ano não será diferente.
Por Giovana Meneguim e Nathan Rodrigues

A Copa do Mundo de 1934 era, literalmente, um teste de vida ou morte para os jogadores da squadra azzura. Com a ascensão do fascismo, Benito Mussolini enxergou no futebol um ótimo meio para mostrar ao planeta a nova cara do país. Por isso, a conquista era imprescindível. Antes da final, contra a Tchecoslováquia, o Duce enviou aos seus atletas um bilhete com a frase “vitória ou morte”. A Itália venceu a partida por 2 a 1, garantindo seu primeiro título.


Anos mais tarde, a política entraria novamente em campo. E com a camisa canarinho. Em 1970, o Brasil montou um time dos sonhos para a Copa do México. E o regime militar “colaborou” na convocação deste selecionado. Com a benção do general Emilio Garrastazu Médici, Zagallo levou ao torneio o atacante Dario. Ciente das possibilidades de a equipe voltar da América do Norte com o tricampeonato, a ditadura ainda fez uso exagerado da modalidade como propaganda do governo, criando slogans como “Ninguém segura este país", "Brasil: ame-o ou deixe-o" e o tema musical “Pra frente, Brasil”.

Estes exemplos comprovam que o esporte, muitas vezes, cumpre mais que o papel de entretenimento. É uma poderosa arma política, engatilhada com a proximidade de mais uma edição do campeonato mundial e das eleições presidenciais. “A Copa do Mundo tornar-se-á o grande espaço de debate político nesse segundo semestre", aponta Luiz Antônio Vital Gabriel, professor de Ciências Políticas das Faculdades Integradas Rio Branco.


Ele acredita que o resultado deste pleito pode ser influenciado pelo desempenho da Seleção no campeonato, ao contrário do que prega Lula. Em recente entrevista, o ex-presidente afirmou que o brasileiro já tem maturidade política para não se deixar influenciar pelo êxito ou fracasso do time canarinho. "Se o Brasil ganhar, parece-me que o Governo sai fortalecido; se perder, a oposição sai fortalecida, porque fará junção da derrota no campeonato mundial de futebol com questões como inflação, desemprego, baixo nível de crescimento da economia brasileira nos últimos anos", completa o professor.

sábado, 17 de maio de 2014

Estrangeiros brasileiros

Depoimentos sobre a Copa do Mundo no Brasil de estrangeiros que moram aqui há mais de 50 anos

Por Danilo Alves, Jacqueline Altopiedi e Marcel Pereira


A Copa do Mundo do Brasil iniciará no dia 12 de junho e receberá diversas seleções e com elas virão os torcedores. Será um mês em que várias culturas, manias, etnias se reunirão apenas com um objetivo: torcer pelo seu país. E vem a dúvida: pra quem eles irão torcer? Para o Brasil ou para o seu país de origem? O que eles esperam da Copa no Brasil? Com base nessas perguntas entrevistamos dois estrangeiros que já moram no Brasil há muito tempo para saber a expectativa deles referente à Copa.  

O italiano José Cigarossa mora no Brasil há 50 anos e sobre sua visão da Copa do Mundo no Brasil ele diz: “É um evento que o brasileiro esperou muito para acontecer e está apreensivo para que chegue logo. Vai juntar a população, como em todos os anos de copa, mas esse ano vai ser diferente, o povo brasileiro ficará mais unido do que nunca.”

Os atrasos nas obras dos estádios preocupam até quem não tem nacionalidade brasileira. “Espero que as obras fiquem prontas a tempo,  apesar de não acreditar". No quesito organização, está otimista: "na minha opinião a polícia vai proteger os turistas e a organização da copa vai ser a suficiente para atender a todos”, completa.

Coliseu - Itália      Divulgação/blog italianaticos
Sobre a cultura de seu país, relata: “Os italianos ficam apreensivos e fervorosos, pois a Itália, assim como o Brasil, respira futebol e nesse momento, faltando poucos dias para a Copa, em todas as cantinas e praças o pessoal está reunido falando sobre a seleção." Cigarossa complementa "Vou torcer pelo Brasil. Já tenho mais tempo de Brasil do que de Itália, ensinei meus filhos e netos a torcerem pelo Brasil e não poderia ser diferente”.

Representando a Espanha, entrevistamos Jeanette Gallego que relata: “Quando anunciaram que a copa seria no Brasil, eu fiquei super feliz, pensava em ir ao estádio, ver pessoas de outros lugares do mundo. Depois que soube melhor como estava sendo feito, todos os gastos desnecessários, me chateou um pouco.”

Divulgação blog cultura espanhola
Torre de Collserola - Espanha  Divulgação/Cultura espanhola
A expectativa dela com a chegada dos estrangeiros é o respeito: “Eu espero que o povo brasileiro respeite todos os povos que virão até o nosso país, pois pelo menos na Espanha, todos tratam muito bem os estrangeiros que passam por lá, espero que possamos dar um exemplo a todos e que não ocorram assaltos e notícias que possam difamar mais o Brasil”. E completa falando um pouco sobre seu país de origem “A Espanha sempre foi fanática por futebol, falta apenas um título dessa importância para colocá-la em um lugar que todos os espanhóis queiram ver. As pessoas fazem como os brasileiros, juntam-se para discutir futebol. A minha torcida vai para o Brasil. Já estou há muito tempo aqui, vim pra cá com oito anos e cresci, tanto na escola como no meio dos amigos com todos torcendo pelo Brasil, não tive escolha e nos dias de hoje, me considero fã número um da seleção em tempos de Copa”.





sexta-feira, 16 de maio de 2014

Expectativas da área comercial para a Copa de 2014

Ponto de vista dos comerciantes em relação à chegada de estrangeiros ao país

Por Camila Santos e Nathalia Moraes Franco


Em menos de um mês o Brasil sediará um dos eventos mais esperados por todos: a Copa do Mundo de 2014. Porém, essa realização está dividida entre críticas, opiniões diversas e polêmicas. Grande parte da sociedade considera que o país está investindo exageradamente em obras nas cidades-sede, deixando de priorizar itens essenciais à população como: saúde pública, educação, transporte, entre outros problemas que são utilizados como argumentos pelos adeptos do movimento "Não vai ter Copa".

Por outro lado, existem os que acreditam que a Copa do Mundo de 2014 possa ser usada como estratégia para atrair os estrangeiros, aumentando a visibilidade internacional do Brasil no setor econômico. Segundo Sirane Bandeira, sócia e proprietária do restaurante Maçã Verde, situado na região de Pinheiros, o estabelecimento está preparado para receber turistas. "Estamos desenvolvendo cardápios na língua inglesa e efetuando treinamento dos funcionários para um atendimento de qualidade", diz.

Restaurante Maçã Verde (Crédito - Nathalia Moraes Franco)
Em contrapartida, nem todos os representantes da área do comércio compartilham dessa expectativa positiva no que diz respeito ao Mundial. De acordo com Ana Cecília Panizza, assessora de imprensa da Associação Comercial de São Paulo, o benefício de maior impacto será destinado ao turismo. "A hotelaria lucrará bastante, mas as vendas serão prejudicadas à medida que houver fechamento do comércio durante os jogos", afirma.

A metrópole paulistana recebe um número expressivo de estrangeiros que vêm à cidade para usufruir das opções que ela oferece, desde cultura a negócios. Essa realidade faz com que os turistas tornem-se clientes assíduos do comércio de São Paulo. Lorenz O'Her, estudante alemão que reside no Brasil há um ano, conta que já enfrentou algumas dificuldades durante os atendimentos. "No começo era complicado  pedir o que desejava, tanto pelo meu português escasso, como pelo bloqueio que os comerciantes apresentavam em compreender algum outro idioma. Diante dessa situação, apelava para a mímica", declara.


Cartão Vermelho para Adidas

Patrocinadora oficial causa indignação após lançamento de camisetas depreciativas.
Por Flávia K. Mendes e Gabriela Alencar

Faltando 28 dias para a Copa do Mundo, o Brasil está em polvorosa. Toda a atenção do planeta será voltada para nosso país e não podemos fazer feio. Diversas campanhas publicitárias e produtos foram feitos para promover o Brasil para os estrangeiros, mas uma em especial se destacou.

A Adidas, colocou diversas camisetas à venda em seu site americano, porém duas dessas camisetas possuíam estampas pejorativas, com duplo sentido e com conotação sexual que difamavam a imagem da mulher brasileira. 

    Coração também pode ser enxergado como nádegas.
           Foto: Adidas / Reprodução                
Estampa traz expressão que pode significar tanto:
"pegar garotas", como"querendo gols".
Foto: Adidas / Reprodução

O professor, Alexandre Fillietaz comentou o caso afirmando que a talvez Adidas tenha confundindo a sensualidade geralmente associada ao nosso Carnaval com a imagem da mulher como objeto sexual. "Talvez a campanha tenha sido inspirada em valores culturais brasileiros, mas mal interpretados. As pessoas tem que vir para o Brasil para assistir aos jogos, assistir à Copa e não para explorar o povo brasileiro".

A coordenadora do blog, Blogueiras Feministas, Bia Cardoso, também comentou o caso “Acredito que qualquer coisa que reforce a imagem estereotipada da brasileira para o exterior é prejudicial e só aumenta o machismo em relação às mulheres”.

É importante lembrar que dados divulgados pela ONG sueca ChildHood, especializada em proteção à infância, e entregues à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República em fevereiro, mostram o aumento de casos de exploração sexual de mulheres e crianças em locais de grandes eventos esportivos. Na Copa da África, em 2010, foi registrado um aumento de 63% de exploração infantil e de 83% contra mulheres, no período do evento.

“A mulher brasileira foi objetivada, difamada, como se o país fosse um verdadeiro festival de carne humana pronta para consumo”, declara a ilustradora Evelyn Queiróz, que faz desenhos de mulheres com corpo fora do padrão, ela também afirma que enxergou a campanha como uma falta de respeito em nível absurdo. 

A antropóloga Debora Diniz, que escreveu para o Estadão em março, comentou novamente o assunto “O recado que podemos dar é que não somos mercadoria a ser vendida. E que vamos pensar muito antes de voltar a comprar algo dessa marca”.
Governo Federal sugeriu alterações nas estampas lançadas pela
Adidas.
Foto: Reprodução
Em nota oficial, a Adidas afirmou que as camisetas eram de uma edição limitada e que estaria disponível para venda apenas nos Estados Unidos. E também que “os produtos não serão mais comercializados pela marca".